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Polícia Estelionato

Jogo do tigrinho: "Os próprios influenciadores estão viciados", diz delegado sobre alvos da operação Game Over

Bens apreendidos dos investigados somam R$ 31 milhões

17/06/2024 às 13h32 Atualizada em 17/06/2024 às 13h36
Por: Julita Bittencourt
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Foto: PC-AL
Foto: PC-AL

Aproximadamente R$ 31 milhões em bens foram apreendidos durante a operação Game Over, cujo alvos são influenciadores alagoanos que divulgam o 'jogo do tigrinho". Deflagrada na manhã desta segunda-feira (17), a ação cumpriu mandados de busca e apreensão em vários bairros de Maceió e em Marechal Deodoro.

Durante entrevista coletiva no final da manhã de hoje, a Polícia Civil de Alagoas detalhou mais sobre a operação, que teve 12 alvos e investiga 40 pessoas pelo crime de estelionato. Entre os investigados, além de influencers digital, também estão seus assessorados. 

Segundo a PC-AL, foram apreendidos seis veículos totalizando R$ 8 milhões apreendidos. Outros carros de luxo, que seriam apreendidos, foram escondidos pelos investigados. Apenas um, avaliado em R$ 1 milhão, foi encontrado pelos policiais. 

De acordo com o delegado Lucimério Campos, a Justiça bloqueou as contas nas redes sociais de influenciadores com mais de um milhão de seguidores.

O delegado contou que uma das vítimas precisou vender a casa avaliada em R$ 400 mil reais para poder quitar as dívidas que o neto fez no jogo do tigrinho. 

“Começamos a perceber o potencial ilícito na prática desses jogos. Com o avançar da investigação, a gente viu que tinha um público próprio, que ostentava patrimônios luxuosos e não encontramos pessoas que ganhavam realizando esses jogos. Uma senhora teve todo o patrimônio dilapidado, porque se desfez da casa avaliada em R$ 400 por R$ 200 mil para pagar dívidas do neto. Percebemos que havia um grupo orquestrado para praticar esse tipo de crime. O jogo do tigrinho tem um aparato por trás, tem quem vai atrás do influenciador, a plataforma, os ganhos irreais dos influenciadores, para o jogo alcançar um número maior de pessoas e faturar mais”, disse Lucimério.

Ele explicou que os próprios influenciadores estão viciados e divulgam imagens irreais. 

“Eles recebem uma conta de demonstração, onde há ganhos irreais, onde ele grava a tela da conta e diz ao seguidor que está ganhando, mostram ganhos muito altos, a fim de estimular que as pessoas passem a jogar também. Aquele link que ele divulga não é o que ele recebeu para jogar, eles simulam que estão ganhando, mas nada daquilo é verdade. O jogo do tigrinho não tem autorização para funcionar. Os próprios influenciadores estão viciados. Depois eles começam a lavar esse dinheiro em bens de luxo, colocando em nome de outras pessoas e tudo isso é organizado de forma criminosa, é uma verdadeira organização criminosa que tem um poder nefasto para a sociedade”, contou Lucimério.

Durante a operação foram apreendidos dois carros de luxo – uma Porsche e um Volvo –, um Fiat Fastback, uma lancha, além de celulares, dinheiro e passaporte do alvos. Os mandados foram cumpridos nos bairros do Poço, Serraria, Jatiúca, Ouro Preto, Pajuçara, em Maceió, e na cidade de Marechal Deodoro.

O delegado pede, ainda, que as vítimas procurem desses influenciadores procurem a polícia para denunciar.

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